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A importância do controle de infecções hospitalares

Por Ana Paula Ferreira

Enfermeira

 

“Antes de tudo, não cause dano.” Este princípio fundamental serve como um lembrete constante para médicos, enfermeiros e demais profissionais da saúde, instando-os a considerar os possíveis danos que uma intervenção pode causar. Desde 1860, esta frase tem sido uma expressão de esperança, intenção, humildade e reconhecimento de que atos bem-intencionados podem ter consequências indesejáveis.

A vasta maioria dos pacientes que acessam os serviços médicos hoje é curada. No entanto, uma parcela sofre consequências não intencionais do cuidado, como as infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS). Desde 1847, quando Ignaz Semmelweis descobriu a importância da lavagem das mãos, e em 1860, quando Joseph Lister, um pioneiro do controle de infecção, desenvolveu antissepsia para prevenir infecções de feridas, o cuidado em saúde tem se tornado cada vez mais complexo e sofisticado.

No Brasil, estima-se que a taxa de infecção hospitalar varie de 5% a 14% do total de internações, representando um desafio significativo para a saúde pública e impactando diretamente a qualidade da assistência prestada. Dados da Associação Nacional de Biossegurança (Anbio) indicam que 100 mil pessoas morrem anualmente vítimas de infecção hospitalar, evidenciando a prevalência desse problema em instituições de saúde em todo o país. Com uma população diversificada e sistemas de saúde variados, o cenário brasileiro intensifica os desafios relacionados às infecções adquiridas durante a internação.

As Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), também conhecidas como Infecção Hospitalar, representam um sério problema de saúde pública, com impacto econômico elevado e aumento na morbidade e mortalidade, especialmente em pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI). Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), infecção hospitalar é aquela adquirida após a internação do paciente, manifestando-se durante a internação ou mesmo após a alta, quando relacionada à internação ou procedimentos hospitalares.

 

As IRAS mais frequentemente encontradas nos hospitais incluem:

  • Infecção de Sítio Cirúrgico (ISC),
  • Pneumonias (especialmente a PAVM – pneumonia associada à ventilação mecânica),
  • Infecção de Trato Urinário (ITU)
  • Infecção da Corrente Sanguínea (IPCS).

 

Embora as evidências brasileiras relacionadas ao ônus econômico das IRAS ainda sejam limitadas, dados dos Estados Unidos da América (EUA) e da Europa sugerem custos estimados em vários bilhões por ano. Segundo o Centers for Disease Control and Prevention dos EUA, os custos médicos diretos das IRAS para hospitais variam de US$ 35,7 a 45 bilhões anuais, enquanto o impacto econômico anual na Europa chega a € 7 bilhões. Um estudo brasileiro estimou que o custo diário do paciente com IRAS é 55% superior ao de um paciente sem IRAS, representando 18,0% do custo total diário de ocupação, principalmente devido ao uso de acomodações hospitalares.

Em todo o mundo, a prevenção de infecções hospitalares depende principalmente da instituição de saúde e de seus trabalhadores. O treinamento e a adesão dos profissionais de saúde às medidas de prevenção reduzem o risco de aquisição de infecções hospitalares relacionadas aos cuidados prestados. Esse trabalho é coordenado pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), com caráter gestor, e colocado em prática pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH). Ambos são responsáveis pelo desenvolvimento do Programa de Controle de Infecção Hospitalar (PCIH), obrigatório em todos os hospitais do país.

A prevenção de IRAS está no cerne da segurança do paciente, recebendo total atenção de especialistas nos níveis regional e nacional, além de consumidores, pagadores, legisladores e da mídia. Desde 1999, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lidera as ações nacionais de prevenção e controle de IRAS no Brasil, seguindo as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS). A Anvisa tem desenvolvido diversas ações estratégicas para reduzir o risco de aquisição das IRAS, incluindo a publicação do manual de Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde.

Medidas baseadas em evidências para a prevenção de IRAS devem ser adotadas em todos os serviços de saúde, abrangendo o ambiente hospitalar, a atenção primária à saúde, estabelecimentos que prestam assistência a pacientes crônicos e a assistência domiciliar. Pesquisas indicam que quando os serviços de saúde e suas equipes conhecem a magnitude do problema das infecções e aderem aos programas de prevenção e controle de IRAS, podem alcançar uma redução de mais de 70% em algumas infecções, como as da corrente sanguínea.

De acordo com o PROGRAMA NACIONAL DE PREVENÇÃO E CONTROLE DE INFECÇÕES RELACIONADAS À ASSISTÊNCIA À SAÚDE (PNPCIRAS) 2021 a 2025, publicado em 2021 pela Anvisa, e no Manual de Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (Anvisa) de 2017, seis (6) medidas efetivas básicas estão no centro das estratégias de prevenção das IRAS:

 

Higiene das mãos:

A lavagem das mãos é considerada a medida isolada mais importante no controle de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS). A OMS e a Anvisa recomendam a lavagem das mãos em cinco situações nos serviços de saúde para evitar IRAS: antes do contato com o paciente, antes de procedimentos assépticos, após exposição a fluidos corporais, após contato com o paciente e após contato com o ambiente próximo ao paciente.

 

Respeitar as precauções padrões e de contato, bem como isolamentos, com uso dos EPIs adequados:

Precauções são adotadas para evitar a propagação de doenças transmissíveis, sendo quatro tipos: padrão, contato, gotículas e aerossóis. O uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como luvas, máscaras e óculos, é crucial na prevenção da transmissão de infecções para pacientes e equipe.

 

Uso de descartáveis:

Dispositivos médicos descartáveis proporcionam maior segurança, reduzindo o risco de infecções e contaminação cruzada. Além disso, eliminam custos contínuos de reprocessamento, economizando água, energia elétrica e otimizando o tempo da equipe. A padronização de descartáveis evita desperdícios e permite a realização correta de procedimentos, reduzindo IRAS, especialmente em procedimentos invasivos.

 

Atenção e cumprimento aos protocolos de limpeza:

A equipe de limpeza desempenha papel crucial na prevenção de infecções hospitalares. O respeito aos padrões técnicos e éticos é essencial para garantir a eficácia da prevenção.

 

Educação e constante reforço de todo staff:

O desafio para a prevenção não reside na falta de protocolos, mas na implementação eficiente e contínua das práticas recomendadas. Diretrizes devem ser rigorosamente desenvolvidas, revisadas e treinadas continuamente para assegurar a prevenção de infecções hospitalares.

 

Essas cinco medidas fundamentais formam a base para a prevenção eficaz de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), destacando a importância da colaboração de toda a equipe de saúde na implementação dessas práticas.

 

Referências Bibliográficas

PROGRAMA NACIONAL DE PREVENÇÃO E CONTROLE DE INFECÇÕES RELACIONADAS À ASSISTÊNCIA À SAÚDE (PNPCIRAS) 2021 a 2025. Anvisa, 2021

Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde. Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. Anvisa, 2017

Um Compêndio de Estratégias para a Prevenção e Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde em Hospitais de Cuidados Agudos. APECIH. 2008

Global report on infection prevention and control. OMS

Orientações sobre os componentes essenciais dos programas de prevenção e controle de infecção em nível nacional e de serviços de saúde. OMS

 

Clique e continue a leitura – Parte 3

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